10 anos depois decidi reescrever esse texto....pois mudei muito!quem não???
mudanças
Sabonetes
Não faço ideia de como isso se deu, na verdade faço sim, mas há coisas que preferimos varrer para um lugar pouco frequentado em nós. O que eu tinha era a ilusão de que dessa vez iria durar. Quando conheci Clara, foi rápido,mas o suficiente para eu ficar congelada, era a primeira vez que eu beijava uma mulher, então eu me sentia mal, era errado.
Lembrava de minhas memórias de adolescente e o que eu ligava á palavra lésbica. E não era nada positivo. Mas aconteceu e foi diferente de tudo que já havia experimentado antes. Clara me olhava, queria ficar comigo, até enfrentou a mãe, enquanto segurava minha mão, com cuidado como quem segura uma estrela do mar. Dizia que ficaríamos juntas para sempre. O tempo passou, fomos felizes, comendo pipoca enquanto assistia Mad man ou dançando é o tchan enquanto fazíamos faxina de madrugada.
Ela foi embora um tempo depois, não deve ter suportado, acompanhado que eu queria ir mais fundo na história, na minha história porque uma hora a gente cansa, se não de tédio,mas de morte.
Quis frequentar todos os lugares de mim, havia uma distância entre mim e ela, e não era de um metro e meio entre a cama e o sofá, era de anos de consciência. A única coisa que ficou de nós foi o sabonete no banheiro. Comecei a analisá-lo muito tempo depois, não sei se por saudade, costume, distração ou sintoma.
Depois os dias continuaram, conheci Giovana, achei que ela nunca iria embora. Suas palavras eram fortes, sua vontade era fraca. Começamos sabendo muito o que queria, era muita convicção em tão pouco tempo, mas eu já estava sem escolha. Percebi quando demorava minha atenção sob seu corpo, os cabelos castanhos e ondulados enrolados na toalha, um perfume que ficava grudado no travesseiro.
O meu problema foi acreditar demais nas suas palavras, em suas histórias turvas, não queria desconstruir a ilusão que eu tinha criado e isso me importava tanto. Acreditei até que ela tinha um banheiro favorito na minha casa. Mas o fim estava rápido e ele foi tão de repente que um ano depois, quando ela voltou, ainda achei que não houvesse tido fim. De novo, a única coisa que ficou foi o sabonete gasto no banheiro.
Quando Cris chegou, eu nem percebi direito. Ela foi entrando na minha casa, no meu quarto, na minha cama, na minha vida. os dias eram confortáveis, com direito a sentar na calçada pra olhar a vida passar, mas um furacão passou na rua e arrastou nossas cadeiras e agora a situação já não era mais confortável. Sua partida era urgente e forçada por mim.
Não me dei conta de quando ela levou o sabonete, mas ele estava ali também, naquele banheiro que eu mal entrava, a não ser quando era pra fugir enquanto ela corria para me puxar pela cintura e me beijar com a boca cheia de pasta de dente enquanto ria e se balançava.
Fiquei sentada no chão do banheiro nem sei quantas horas. Naquele momento me esqueci das pessoas. Olhava os sabonetes e desejava apenas que ele limpasse todo o amor que eu era capaz de sentir, todo o meu desejo ardia.
Aquele sentimento de enxergar a mim e toda minha ingenuidade e toda minha vida incompreendida e ignorar toda a necessidade de que eu precisava ficar só. Aqueles sabonetes todos juntos; um rosa redondo, outro branco já mais gasto, outro amarelo. Formei com eles um só, amassei como quem abraça, doeram as mãos, os líquidos do meu corpo saíram de todas as formas.
A vida delas continuava sem mim,mas a minha parou por um instante. Tudo virou água de esgoto. Eu queria morrer sozinha no chão do banheiro porque não suportava o abandono. Eu vomitei de febre, chorei, fiquei magra, e então acreditei na verdade mais dura e menos açucarada que carrego: eu não dou conta de mim e o que me resta agora é respirar meu próprio oxigênio.
25.05.2021
Um livro e um Chá
"o céu mentia chuva". Acho que era outono. Você vestia sempre uma camisa larga e um short que deixava as pernas á mostra. Essas pernas eram colocadas sob as minhas na cadeira branca que sentávamos para ler após o almoço. Você como sol espalhava luz em todas as direções, refrescando meu rosto, puxando meu sorriso, me fazendo desviar do livro para olhar teu rosto concentrada em Clarice.
você tinha cheiro de flor de maracujá. cheiro de maresia de tarde. Qualquer palavra ali atrapalharia o momento. Como que cronometrado pelo relógio do amor, a gente parava a leitura e você me puxava pro quarto pra me guiar. Queria ser guia, mas era guiada. e eu não achava ruim. Era bom me desarmar e pela primeira vez ser aprendiz, era pega por seu conhecimento preparado, aprendido meio que sem regras, mas diferente de tudo que eu sabia. E isso me era estranho.
Tive medo pela primeira vez em muito tempo. Medo que aquilo não fosse real, medo que alguém me impedisse, medo que não fosse verdade.
Que bonita era sua empolgação quando falava. Eu sempre falei muito mas não achava ruim em me calar e te ouvir falar sobre sua infância em Pocinhos ou sua família desajeitada. Ou dos seus planos pro seu futuro que eram sempre tantos e não pareciam se encaixar.
Eu me calava.
cada um traça seu destino. o melhor que podemos fazer muitas vezes é assistir e torcer pelo bem. E como eu precisava torcer porque você seguia um caminho torto, que percebi muito depois que te seguir era destruição. Eu te seguia me dispondo. Mas eu sabia que você não tinha razão. E tudo bem. a gente nem sempre tem. Mas todos temos fé. E você tinha muita, de todo tipo, seja com a astrologia, o candomblé ou com o espiritismo. Você era do zodíaco, eu sazonal.
Quem é teu santo. O que é a vida. Era a profundeza nos nossos dias. Parecia que eram dias contados. Eu sentia isso. Assim como a música que tocava enquanto preparava o café. Era "tudo somente sexo e amizade" como cantava Maria Bethânia. Desejei que fosse mesmo. Havia um pacto que nunca fizemos de que café era pela manhã,mas de tarde era chá. Achei também que haveria pacto de outras coisas boas.
Você quis ficar,mas não soube. Eu te expulsei porque era preciso. Você quis gravar meu nome e gravou mais algumas coisas. O último dia foi ficando mais cada vez mais vago. Aqui dentro não há rancor, aqui dentro há lamento.
por mim
por você
por nós.
Não sou dada á astrologia, nem aos santos. nem mais aos espíritos, mas só contigo entendi a grandiosidade do que sou.
17.05.2021
No ouvido
Alguns gestos são tão sublimes. Eu sempre trabalhei em não perceber o mínimo.
Pra me impressionar precisava ser grande, ser muito, ser nítido. é preciso mais que sensibilidade para ver os pequenos gestos, eles estão escondidos em um café com uma flor, em um doce no meio da tarde, em uma mensagem de madrugada ou um favor quando você não pede.
Eu teimava até que eles não existiam. Minha missão era teimar. teimar de todas as formas possíveis que poderia haver amor em algo pequeno, porque amor pra mim já imprimia o grande. Acho que nasci com as respostas na mão e nunca as percebi.
Talvez fosse minha cabeça de nove que pensasse assim. Porque eu não via meu pai trazer flores á minha mãe, mas via ele brigar porque ela não havia feito a carne cozida pro jantar. Acho que era por isso que eu via mainha chorando no quarto sozinha.
As ideias vão se formando em nossa cabeça e a gente não sabe como. só quando cresce que a gente passa a entender cada pedacinho de nossas ideias e até mesmo o que a gente nem pensa passa a ser entendível.
Eu sempre esperava com ansiedade o final do dia. mainha chegaria do trabalho. Ainda lembro quando ela me mandou pegar algo no carro, mas era desculpa pra eu encontrar o presente que eu tanto desejava: um bambolê com cheiro de chiclete.
Não lembro a cara que mainha fez quando viu minha alegria, chorei tanto de emoção que bati a cabeça na porta. Ficou todo mundo da casa me olhando, só minha irmã com olhar de reprovação, como ela sempre fazia com qualquer coisa que eu ganhasse.
mas nem todas as lembranças são ruins. Hoje vejo que mainha fazia gestos simples pra me ver feliz, era um tempo dedicado a mim o dela escolher o que me daria e de saber o objeto que eu tanto queria. Foi patins, foi vestido rodado vermelho, videogame, foi uma máquina de costura de brinquedo mas que era de verdade.
Era mais do que o que ela me dava em conversas, carinho ou qualquer outra forma de atenção.
Muitos anos depois, quando eu já havia percebido isso, cheguei na casa de mainha e me queixei de dor de ouvido. Ela foi até o quarto, pegou o cotonete, colocou uma pomada e me mandou colocar no ouvido dizendo que era muito boa e sararia.
Entendi o que é um gesto sublime. Entendi o que é o amor em ação.
COLHEITA
O amor cabe!
e cabe direito, sem sobrar ou faltar.
só com dignidade a gente compreende quando foi amor. E aprende que aquela vontade toda, o esforço demasiado, era só um grande medo de não ser. Até que um dia a corda rompe. E você olha suas mãos doloridas de segurá-las, em farrapos, tanto quanto a corda do que não era.
E também não há falta de dignidade em querer, e se dispor, ás vezes, a ver onde a corda vai. Há os que precisam passar por isto, mas passam por outras coisas. A vida é uma linda passagem pelo próprio destino.
Ela fica, a vida,
Fica conosco.
Nos revela.
Depois de nossas pontes, encontramos a nós mesmas do outro lado. De mãos refeitas! Que souberam lidar com cordas partidas, com dignidade. Que souberam abençoar o que não nos pertencem.
Mãos refeitas, jamais serão mãos vazias.
Depois do que parece,
Depois do que o mundo pensa,
Depois até do que você pensa,
você encontra aquilo de que não será preciso agarrar com as mãos.
Merecer alguma coisa, não é achar que merece. é merecer. Só pela dignidade merecemos colher as flores do que plantamos, e mãos curadas podem semear melhor.
Flávia Wenceslau
(Mini crônica) Mesa
Acho bonito quem coloca a mesa. Seja pro café ou pro jantar, parece que colocar a mesa pode ser comparado á reciprocidade. é como dizer: "vem, traz teu amor que já to preparada."
E você vai cortando seus pedaços, sem deixar-se despedaçar, vai fritando o ovo, cortando o pão, amassando a massa, adoçando o líquido.... no início pode não saber a dose, pecar pelo excesso, exceder na falta, depois tudo vai ficando previsível, não menos encantador. Depois de quantos gramas o outro gosta, não perde a graça, torna-se mais excitante.
Eu já sabia o que você fazia primeiro: o gole no café antes de cortar o queijo. o jeito amassado de pegar a tapioca, o bolo repetido 3 vezes. Eu percebia o sorriso de agradecimento ao final. Não sabia se agradecias pelo pão ou por mim. "Nem só de pão viverá o homem" e eu queria te alimentar de todo o amor que havia em mim.
Você ter deixado a mesa não foi a pior parte de sua partida. Deixar meu café esfriando era previsível. O pior foi habitar dentro de si e ser incapaz de alimentar ao outro. Não senti pena de mim, mas há pessoas que sentem tanto...
Mas E agora?
"como vai preparar meu leite quente antes de dormir?"
31.03.2021
Aline Lima
O que é gostar de alguém?
Será que algum dia já gostei de alguém? A frase saiu de uma sessão de psicoterapia e ficou se revirando dentro de mim por dias. Como se sabe que se gosta de alguém...Fujamos aqui das definições românticas e piegas, esconda-se borboletas e suspenda o frio na barriga.
Esse mistério, que nem chamo de amor, persiste. Porque talvez ,quando seja amor não haja dúvida. ás vezes, eu saia de mim para pensar melhor, depois descobri que eu acabava não pensando. Acreditava que dar muito faria alguém ficar,descobri que era apenas mais um sintoma.
Eu não to com saudade de quem partiu. Eu to com saudade de mim e da vontade que eu tenho de me definhar e depois chamar isso de amor. Mas a maioria das pessoas também se destroem.
Quando conheci Luana achava que que ela vivia intensamente. Eu sempre admirei as pessoas que viviam como se o mundo fosse acabar amanhã. Pessoas incendiárias!
Pessoas que pegam fogo em plena segunda-feira á tarde, no meio do expediente em uma cidade grande. Ela era assim. Duas pessoas que se uniram para se destruírem.
Nos fundimos numa gritaria escandalosa. Dançávamos uma dança perigosa em meio a uma tempestade. Luana era uma tempestade e eu um campo pronto.
Até que um dia, deixei Luana ir. mesmo contra sua vontade. Era ela ou eu. Foi melhor assim. A tempestade pode afogar muitas vezes. Ainda ouço falar dela por amigos próximos. Olho para o mar e posso imaginar qual o último pensamento que ela teve antes de se atirar, querendo chegar até o barco que pairava no meio do mar.
Fico pensando como é difícil suportar nossas dores, se esvaziar parece mesmo uma punição. Talvez gostar de alguém seja gostar de lembrar. Mas eu não quero definir. Eu quero viver e de peito aberto.
15.03.2021
Na vitrola
Uma das melhores lembranças da minha infância era ficar olhando a vitrola. Aquela agulha fininha que encantadamente fazia sair som ao tocar no disco me fascinava. Por aqueles tempos não existia mp3, nem serviço de streaming, cd era raridade e artigo de luxo, vitrola era antiquada.
Algumas casas ainda mantinham essa tradição. Parecia uma torre de lego. uma parte tocava fita cassete, na outra rádio, na outra cd e em cima, majestoso, o maior de todos: o disco. Sobre os discos ,a criançada desconhecia. Não sabiam o que fazer com eles, não sabiam o que eles eram capazes de fazer. Não sabem que ele não acaba quando termina, que tem dois lados, que sua vida é frágil e sua morte se dá de forma fácil apenas com um arranhão.
Eu sempre fui apaixonada por rádio, até hoje ouço, mas a vitrola parece aqueles amores que você conhece, se apaixona, a vida toma caminhos diferentes e vocês se perdem, até se reencontrarem numa padaria do bairro distante ou numa avenida movimentada no crepúsculo.
Minhas histórias de amor também envolvem a agulha.
Eu pegava todos os discos que tinha em casa, ouvia um por um, olhava com atenção as capas, decorava as letras, engolia as sílabas, limpava com pano úmido, balançava o corpo ou chorava sem motivo algum, eu nem tinha idade para chorar por alguém, mas o choro era sincero, perguntava aos mais velhos quem eram esses artistas e curiosamente de que eles haviam morrido. Queria saber mais desses desconhecidos tão próximos.
A gente não percebe muito bem quando o tempo vira. Talvez isso seja habilidade que só adquirimos quando estamos já bem mais velhos. Eu nunca sentia o tempo passar, nem quando ouvia a vitrola tocar. Eu apenas reparava no agora.
Não lembro bem como a vitrola foi embora lá de casa. Talvez tenha sido trocada por um objeto mais útil. Talvez tenha sido jogada no lixo como nossa sociedade aprendeu que se faz com as coisas velhas. Elas se perdem em meio ao tempo, torna-se obsoleto, vira basculho, precisa abrir espaço para o novo.
Memórias
Pegava a ficha, eu sentava na cadeira, balançando os pezinhos que ainda não alcançavam o chão, acho até que foi aí que aprendi a esperar. Minha mãe fazia amizades com outras mulheres que também acompanhavam suas crianças, enquanto eu ficava quieta, sem me queixar do incômodo da dor nem da impaciência de minha mãe.
o médico chamava meu nome, minha mãe me puxava pelo braço e entrava junto. "Doutor, ela tá sentindo dor de garganta, tosse e teve febre a noite toda." Era esquisito ver o monólogo da minha mãe sobre coisas que eu estava sentindo. Quando o médico queria saber mais, eu esboçava uma resposta, mas minha mãe tomava a frente e eu me sentia aliviada por não tem que fazer nenhum esforço.
Apesar de tudo era bom ficar doente. As atenções se voltavam pra mim. E e eu podia comer biscoito a qualquer hora junto com algum suco industrializado, podia assistir desenho animado a manhã toda e ganhava atenção quando era hora de tomar o remédio.
Quando eu cresci, adoeci mais uma vez, só que minha mãe não estava para me levar ao posto de saúde e falar tudo por mim. Talvez a parte mais dolorosa de crescer seja essa: tomar sua própria voz!!!Quando ficamos mais velhos tudo que queremos é nos calar, calar nossas dores,varrer nossos incômodos, sarar nossas feridas e que alguém resolva tudo por nós.
Aline Lima
(Mini-crônica) Que tal 15 minutos de silêncio?
Minha ex namorada certa vez me fez esse convite!
A princípio eu estranhei e achei coisa de doido!
Mas depois pensei: por que não?!!
Ela era dessas que desliga a tv, corta a música, “por que você fala tão alto?”, “por que tanto barulho?,” quer um fone de ouvido?”
Enfim chegou o momento! Não fizemos 15 mas fizemos 10 e enquanto isso o único barulho era o da minha cabeça!
Eu pensava em coisas do tipo: será q eu devia cortar o cabelo?
E a outra voz me dizia: nãooo!!!
Confesso que gostei!
Apesar de não ser uma pessoa barulhenta e odiar volumes altos,
Tenho dificuldade em ouvir o silêncio!!!
Acho que vai virar uma prática minha porque inclusive agora estou em absoluto silêncio!
Não estou morta,estou na minha e realmente pensando de novo sobre cortar o cabelo!
março/2021
Figuras
Você pra mim é paradoxo
desses cheios de contradições que quebram a cabeça;
Você pra mim é metáfora,
daquelas que não se chega nunca a uma definição exata;
Você é hipérbole misturada com personificação,
amo todo o exagero em ti,
e amo mais cada persona que inventas a cada vez que voltas,
Você pra mim é metonímia
te quero não só uma parte, mas quero o todo,
até ser sua anáfora
e me repetir por todos os dias de sua vida.
01.03.2021
Angústia
Ela sufoca
martiriza
te rouba
e te devolve em pedaços
te atira do abismo amarrada
amordaçada
perdida
o peito dói
rasga
te maltrata.
te faz um nada.
Não bata na minha porta
Quando criança, eu tinha o hábito de colocar plaquinha na porta do quarto, autorizando ou proibindo a entrada de pessoas.
Pais? não pode
irmão? não pode
Fatinha? não pode
Guga? pode
Quando cresci nunca mais consegui fechar as portas; Havia sempre uma fresta, uma maçaneta, uma chave, uma forma dela abrir ou ser arrombada.Meus limites foram derrubados, meu quarto virou de todo mundo, em que se sai, se entra, se bagunça, se deita e depois deixa a porta entreaberta, como se houvesse um vale entrada ilimitável.
Eu, por minha vez, não consigo mais ser aquela criança que esbraveja, manda sair o teimoso que insiste em violar minha regra. Esqueço que na minha terra mando eu, no meu faroeste eu sou o cowboy.
Preciso lembrar que Bandido aqui não entra, não me rouba, não extrapola, pois no meu quarto, assim como no meu coração só pode entrar quem eu permito.
Aline Lima
17/11/2020
Mudanças
Não posso dizer que tá tudo ruim, sei lá...só tá diferente.
Não tem mais a TV que eu assistia ao Fantástico todo domingo
O papel higiênico é melhor,
A bagunça que tu deixavas,
talvez o criado-mudo sinta falta.
Já não arrumo mais a casa ouvindo funk
Já não ouço tua voz me chamando à noite
Já não recebo mais visitas
Já não tenho ninguém pra consertar a pia da cozinha
nem alguém para me acordar quando eu to atrasada.
Organizei umas coisas na casa,
também na de dentro mudei umas coisas de lugar
Me priorizei
Me amei
Foi preciso você ir embora para que eu mudasse...
mas esse texto não é de lamento, também não é de agradecimento
era só pra constatar mesmo...
que tanta coisa mudou depois que você se foi...
Ser LGBTQI+ na Escola
Domingos
Embalos de uma noite
não tenho pressa
não a tomo de pronto
Espero os beijos leves
as mãos suaves que perpassam seus seios
Sinto seu gesto alternando a pressão
A língua dança uma dança única e mágica
e então o Êxtase explode de alegria
e ela ternamente se deita em meus braços,
olha fixo para o alto
e suspira.
Domingo
A vida vive sem você
Isabela Taviani
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